← InícioVALE DOURADO RP · ARQUIVO HISTÓRICO

As Crônicas do Vale

Três universos. Muitas histórias. Um mundo que continua a ser escrito.

← Voltar às publicações
Capa de As Cinzas do Vale
Lore do Condado

As Cinzas do Vale

A guerra começou antes que alguém tivesse coragem de chamá-la pelo nome.

Tudo mudou em uma única noite.

Um ataque atingiu uma área de mineração nas proximidades das montanhas, deixando mortos, feridos e parte das instalações destruída. Ninguém sabia ao certo quem havia iniciado o confronto, mas a notícia se espalhou pelo Vale antes mesmo do amanhecer.

O medo tomou conta das comunidades.

Homens pegaram seus rifles. Fazendeiros fecharam suas propriedades. Mineradores abandonaram os túneis e correram para proteger suas famílias.

O governo declarou que protegeria a população.

Mas proteger quem?

De um lado, estavam aqueles que exigiam segurança para suas famílias, suas terras e suas minas. Do outro, estavam os povos que acreditavam estar defendendo territórios que haviam sido tomados durante a expansão do país.

O governo tentou permanecer entre os dois lados.

Tropas foram enviadas para conter os confrontos, enquanto autoridades ainda buscavam negociar. Porém, cada novo ataque tornava os acordos mais difíceis.

A disputa já não era apenas por território.

O ouro havia transformado aquelas terras em uma questão de poder.

A violência se espalhou pelas estradas, fazendas, pontes e regiões próximas às minas. Milícias foram formadas, homens comuns pegaram em armas e antigos pistoleiros encontraram uma nova oportunidade para lucrar com o caos.

Durante dias, o Vale viveu entre fumaça e tiros.

Casas foram abandonadas.

Famílias se separaram.

Homens que nunca haviam segurado uma arma precisaram escolher entre lutar ou fugir.

Quando finalmente o fogo começou a desaparecer, o Vale Dourado ainda estava de pé.

Mas já não era o mesmo.

As plantações estavam queimadas, algumas minas destruídas e partes das antigas estradas cobertas por cinzas.

A guerra havia deixado marcas que não desapareceriam facilmente.

E, naquela noite, quando o silêncio voltou às montanhas, alguns sobreviventes juraram ter visto sombras entre as árvores.

Outros disseram ter ouvido vozes chamando pelos nomes daqueles que haviam morrido.

Ninguém quis falar muito sobre aquilo.

A guerra tinha começado por terras e ouro.

Mas talvez tivesse despertado algo que estava adormecido muito antes da chegada dos primeiros homens.

O Vale havia sobrevivido à guerra.

Agora precisava sobreviver às suas consequências.

Voltar ao acervo